sábado, 24 de Junho de 2017

 


Atenção às Competências Parentais

Graça Messias, Psicóloga Clínica






Ser pai ou mãe é uma grande responsabilidade perante a vida, sobretudo a afetiva, e por isso, vai além do fator biológico. Mais: não é apenas um desempenhar de papel que corresponda às aspirações da paternidade e da maternidade; mas significa o compromisso de assistência e um desafio permanente de cuidados e atenções pelos filhos, aos quais ninguém deve conseguir igualar.

Dessa perspectiva, compreendendo que para se ser pai ou mãe são necessários dotes de afeto incondicional, é relevante considerar que ao lado desse sentimento devem existir competências equilibradas que proporcionam aos filhos sentimentos de proteção, organização e independência para um saudável desenvolvimento.

É verdade que os pais podem-se sentir perdidos diante de desafios que colocam em risco o desenvolvimento de seus filhos. Contudo, não é menos autêntico que a experiência de serem pais, para a maioria, é muito gratificante e primordial.

Graça Messias
Licenciada pela Faculdade Salesiana de Lorena/Brasil e Mestre em Psicologia Clínica do Desenvolvimento pela Universidade de Coimbra.

Por outro lado, as crianças são dependentes de práticas parentais suficientemente adequadas, sendo estas competências definidas pelo asseguramento do bem-estar físico, psicológico e social dos filhos.

Hoghughi (2004) nos lembra que as tarefas dos pais é zelar pelos cuidados (físicos: garantia de boa alimentação, higiene, vestuário, hábitos de sono, etc; emocionais: respeito, carinho, segurança, etc), pela disciplina (limites apropriados à idade da criança, internalização das normas culturais e legais, etc) e pelo desenvolvimento dos filhos, com a finalidade de incutir valores morais, proporcionar a realização dos seus potenciais e o prevenir das adversidades para que se evitem sofrimentos e possam viver num ambiente estável.

Neste sentido, podemos considerar que as competências parentais estão ligadas a dois domínios essenciais: o conhecimento e a compreensão para com os filhos. Quando os pais reconhecem uma emoção ou um comportamento, compreendem e respondem de forma apropriada ao estado da criança, significa meio caminho percorrido para a consolidação de um processo de cuidados parentais positivos. A qualidade da relação entre pais-filhos é fundamental para a saúde mental da família, pois a exposição de crianças a um ambiente adverso, de acordo com vários estudos, pode provocar o aparecimento de distúrbios psíquicos ulteriores.

Dentro dessa ótica, é importante a consciencialização sobre o que é a paternidade e/ou maternidade, o sucesso ou a falha no estabelecimento da função parental, assim como é imprescindível a deteção de fatores de riscos, intervindo e encaminhando a família para apoios através de programas que abranjam não só os aspetos psicoeducacionais como também coloque em evidência as necessidades e os fatores de proteção.

Apesar das possíveis adversidades familiares (violência doméstica, dificuldade de separação dos pais, maus tratos infantis, alteração de recursos económicos, etc) que se podem refletir nas competências parentais, sabemos que o desempenho parental está correlacionado com diversos determinantes do comportamento dos pais, entre os quais as motivações individuais, tipo de personalidade, aspetos psicológicos, culturais e sociais que se vêem articulados e que parecem influenciar a prática parental. Com efeito, esse conjunto de fatores faz das competências parentais um processo pleno de alternativas na relação, o que confere um significado dinâmico, ligado às ações psicoafetivas do "tornar-se pais".



Referências

  1. Abreu-Lima, I., Alarcão, M., e outros. Avaliações de Intervenções de Educação Parental: relatório, 2010
  2. Hoghughi, M (2004). Parenting: an introduction. In M. Hoghughi & N. Long, Handbook of parenting: theory and research for practice (pp 1-18). London: Sage