segunda-feira, 21 de Agosto de 2017

 
Fukushima  

Nova fuga de 100 toneladas de água radioactiva em Fukushima






A empresa japonesa Tepco, que opera a central de Fukushima, detectou uma nova fuga de 100 toneladas de água radioactiva num tanque que armazena líquido contaminado, ainda que, aparentemente, a fuga não tenha chegado ao mar.

A radiação detectada na água é muito alta, já que segundo dados da Tokyo Electric Power (Tepco) foram registados 230 milhões de becquerels por litro de substâncias emissoras de raios beta. Esta unidade serve para medir o nível de radioactividade e a Organização Mundial de Saúde já alertou que não se deve beber ou ter contacto com água com mais de dez becquerels por litro.

O problema, detectado na quarta-feira, aparentemente ocorreu na montagem da tampa superior do tanque, mas segundo disse à BBC um dos porta-vozes da empresa, Masayuki Ono, a fuga não parece ter afectado o mar. O responsável disse ainda que aquela ocorreu ao mudarem a água para um tanque que afinal já estava cheio.

O incidente revela, mais uma vez, a dificuldade que a Tepco está a encontrar para controlar o problema da contaminação da água - um dos efeitos do desastre nuclear em Fukushima provocado pelo sismo e pelo tsunami de 2011 no Japão. Na altura, a central de Fukushima ficou sem os seus sistemas de arrefecimento e foi palco de uma série de explosões, de fusão de combustível nuclear e de libertação de material radioactivo. Foi o segundo maior desastre nuclear, superado apenas por Tchernobil.

A água que drena das montanhas junto à central mistura-se com a que está nos pisos inferiores da central, e que está contaminada. Em Agosto de 2013, a Tepco admitiu que 300 toneladas por dia estavam a chegar ao mar.

No final do ano passado um erro de cálculo sobre a capacidade de um tanque de armazenamento tinha causado também uma fuga de água radioactiva na central nuclear japonesa. Mais de 400 litros de água com níveis de radioactividade quase sete mil vezes superior ao limite legal foram dar ao mar, depois de vertidos de um tanque.

O incidente ocorreu num dos cinco tanques construídos numa zona inclinada. Todos estão interligados, mas apenas um, o que está no ponto mais elevado, está equipado com um medidor de água. Os trabalhadores acreditavam que, mantendo o nível da água a 50 centímetros do limite do tanque com o medidor, não haveria problema. Mas enganaram-se e o tanque que está mais em baixo acabou por transbordar.

Uma série de medidas têm vindo a ser tomadas, mas têm ocorrido vários problemas. Também em Agosto, um problema num tanque de armazenamento provocou o derrame de mais 300 toneladas de água radioactiva.