quarta-feira, 29 de Março de 2017

 


Como aplicar correctamente a insulina






O Dia Mundial da Diabetes, comemorado em 14 de Novembro, trouxe um alerta para a importância da prevenção e do correcto tratamento da doença.

A aplicação de insulina é necessária como forma de tratamento da diabetes tipo 1 e também pode ser utilizada para o tratamento da diabetes tipo 2. Mas o tratamento só é eficaz se aliado, entre outros factores, a hábitos de vida saudáveis, além de técnica e dispositivo de aplicação adequados.

Mas não foi este o cenário encontrado nos EUA por uma pesquisa realizada com 430 pessoas com diabetes em Maio deste ano. Patrocinado pela BD – líder global em tecnologia médica que proporciona há mais de 90 anos as melhores experiências para tratamento e controlo da diabetes – o estudo teve como principal objectivo analisar a forma como os doentes insulinizados fazem uso do medicamento e quais as interferências da forma de aplicação na eficácia do tratamento.

O estudo detectou que 64% das pessoas com diabetes avaliadas apresentaram lipohipertrofia, que são deformidades nos locais de aplicação da insulina decorrentes da aplicação constante no mesmo ponto, bem como o reuso de agulhas descartáveis. Além de proporcionar visivelmente o aumento de gordura subcutânea, a lipohipertrofia é alarmante porque impossibilita que o organismo absorva a insulina adequadamente.

De todos os pacientes com lipohipertrofia, 49,1% tiveram variabilidade glicémica e 39% apresentaram hipoglicemia – factor preocupante, pois a queda de açúcar no sangue pode levar a pessoa rapidamente à perda de consciência, implicando em risco de vida imediato. Outro dado alarmante é que 98% não realizavam o rodízio adequado dos locais de aplicação. “Por isso é importante que a pessoa com diabetes faça aplicações de insulina alternando as regiões para que o organismo consiga absorver adequadamente o medicamento injectado, sem comprometer o tecido subcutâneo, local onde o medicamento deve ser aplicado”, explica Ana Carolina Gomiero, directora da área de Diabetes da BD.

Outro factor detectado pela pesquisa é que as pessoas com lipohipertrofia necessitaram de doses maiores de insulina (em torno de 15 unidades de insulina mais por dia), devido à má absorção do medicamento injectado no tecido lesionado (lipohipertrofia), aumentando o custo do tratamento e ocasionando variabilidade na glicemia.

Aplicação correcta de insulina

De acordo com outro estudo clínico patrocinado pela BD, realizado em Junho de 2010 nos EUA com 388 participantes com diabetes tipo 1 e tipo 2 – com diferentes perfis físicos e étnicos, a espessura da pele raramente ultrapassou 3 mm. “Isso significa que o comprimento da agulha deve somente ultrapassar a pele para atingir o tecido subcutâneo, local recomendado para a aplicação da insulina, e nunca à região intramuscular, onde a absorção é mais rápida e pode ocasionar a hipoglicemia”, explica Augusto Pimazoni Netto, médico Coordenador do Grupo de Educação e Controle do Diabetes do Hospital do Rim e Hipertensão da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

Uma das formas ideais de aplicação é a utilização de agulhas e seringas curtas.

Além do dispositivo correcto, a pessoa com diabetes deve realizar a técnica de aplicação correcta de acordo com o dispositivo utilizado. Para agulhas com 4 mm, é mais fácil, porque não é necessário realizar a prega subcutânea (dobra realizada na pele para minimizar o risco de aplicações no músculo) e o ângulo de aplicação é de 90° (recto). Para a seringa de 6 mm, é necessário realizar a prega subcutânea e o ângulo de aplicação recomendado para adultos é de 90° e em crianças e adolescentes, o ângulo é de 45°. Desta forma, o medicamento será aplicado no tecido subcutâneo e a pessoa com diabetes poderá ter um melhor controlo glicémico.

Regiões mais recomendadas para aplicação de insulina

O rodízio dos locais de aplicação deve considerar as regiões laterais do abdómen (distantes três dedos do umbigo), regiões frontal e lateral externa das coxas (três dedos abaixo da virilha e três dedos acima do joelho), região posterior dos braços (três dedos abaixo da axila e três dedos acima do cotovelo) e região superior externa das nádegas.

Prevenção

O risco da aplicação incorrecta de insulina também está ligado ao reuso de seringas e agulhas descartáveis. Além de aumentar os riscos de infecções na pele, devido à perda da esterilidade do dispositivo, a prática também pode ocasionar erros no registo da dose da insulina, desperdício do medicamento e lesões na pele (lipohipertrofia), que prejudicam o controlo glicémico – factor que pode levar ao surgimento de complicações da diabetes.

A perda da visão e o mau funcionamento dos rins são exemplos de problemas que podem ser desencadeados pelo mau controlo glicémico crónico, e diminuem consideravelmente a qualidade de vida das pessoas que convivem com a diabetes.



Referências

  1. A utilização da insulina
  2. É diabético ou está integrado num grupo de risco? Conheça os sintomas, os tipos e as complicações desta doença