segunda-feira, 1 de Maio de 2017

 
Efeitos da crise na saúde  

Efeitos da crise na saúde são reconhecidos pelo Governo






Relatório de Primavera do Observatório Português dos Sistemas de Saúde 2014

"As situações existem, não são minimamente escondidas", afirmou aos jornalistas, em Lisboa, assinalando que "a crise tem consequências negativas na saúde", nomeadamente na saúde mental.

O ministro reiterou, a este propósito, o pedido feito à Organização Mundial de Saúde (OMS) e à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) para avaliarem o impacto da crise na saúde em Portugal.

O Relatório de Primavera do Observatório Português dos Sistemas de Saúde, divulgado esta segunda-feira, criticou "o silêncio e a negação" da tutela, e das autoridades europeias, face "aos evidentes" efeitos negativos da crise, apontando a falta de estudos que os avaliem, assim como de medidas que os minimizem.

Numa breve declaração à imprensa, à margem do I Conselho Interministerial para os Problemas da Droga, das Toxicodependências e do Uso Nocivo do Álcool, o ministro da Saúde enalteceu, não obstante a contenção orçamental, que o setor da saúde teve "um conjunto de fundos, sem paralelo, nos últimos três anos".

Relatório de Primavera do Observatório Português dos Sistemas de Saúde 2014

Face a uma crise económica associada a duras medidas de austeridade, as boas práticas de saúde pública recomendam que se antecipe e previna, o mais cedo possível, os seus efeitos sobre o bem-estar da população, em alinhamento com o constante nos tratados europeus. Só dessa forma é possível monitorizar, intervir e negociar no sentido de mitigar os impactos da austeridade excessiva.

Os efeitos mais imediatos descritos na literatura internacional de saúde pública apontam consequências no equilíbrio emocional: ansiedade, depressão, perda de autoestima, desespero até à tentativa de suicídio, entre outros que estão principalmente associadas ao desemprego ou ao medo de perder o emprego, ao endividamento e ao empobrecimento repentino. E Portugal não é exceção. Somos diariamente confrontados com relatos de dificuldades e sofrimento dos cidadãos, potenciados pela diminuição dos fatores de coesão social e por uma considerável descrença em relação ao presente e ao futuro, com todas as consequências que estas situações têm na saúde.

Continua a assistir-se à existência dos dois mundos que o OPSS referia em 2013 - "o oficial, dos poderes, onde, de acordo com a leitura formal, as coisas vão mais ou menos bem, previsivelmente melhorando a curto prazo, .; e um outro, o da experiencia real das pessoas .", conjugadamente com o facto de qualquer notícia menos boa ser prontamente desvalorizada ou atalhada com respostas tardias e pouco realistas.

Face a este "estado de negação" o OPSS escolheu este ano como titulo para o Relatório de Primavera ( RP ) 2014: Saúde Síndroma de negação .



Referências

  1. Relatório de Primavera do Observatório Português dos Sistemas de Saúde 2014