segunda-feira, 24 de Abril de 2017

 


Os mosquitos só picam algumas pessoas?






Sofre frequentemente de picadas de mosquitos? Ao contrário do que se pensa, frisam os cientistas da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, nada tem a ver com a "doçura" do sangue mas sim com os genes de cada um.

Os investigadores estimam que 20% da população é especialmente atractiva para os mosquitos. Partindo deste princípio, quiseram perceber qual é o factor que os atrai: o tipo de sangue, o metabolismo, níveis de exercício ou cor de roupa - tudo factores já identificados em estudos anteriores. "O sentido de olfacto é o principal método usado pelo mosquito para seleccionar o humano de que se vai alimentar", explica James Logan, da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres.

Segundo Logan, há "uma enorme quantidade de dados" que sustenta que só somos atraentes para os mosquitos devido ao nosso odor corporal. Mas através do estudo de gémeos humanos, os investigadores descobriram que "o odor corporal específico que afecta os mosquitos tem uma base genética".

Para o estudo, publicado esta quinta-feira na revista científica de acesso livre PLOS ONE,  a equipa usou 18 pares de gémeas idênticas e 19 de gémeas não-idênticas (que partilham menos genes que os gémeos idênticos). Todas as escolhidas para o estudo estavam já no período de menopausa, para que o ciclo menstrual não influenciasse e pediu-lhes para não beberem cerveja, comer alho ou cebola antes do estudo, para não activar também esses odores.

Para testar a sua atracção, cada gémeo colocou a sua mão num túnel de vento, em formato de Y, onde foi, depois, bombeado ar para levar consigo odor. Depois, foram libertados enxames de mosquitos, que se moveram para longe ou perto de cada mão.

Os gémeos idênticos mostraram ser igualmente atractivos para os mosquitos, enquanto no teste dos gémeos não-idênticos se provou que estes tinham menos probabilidade de ser mordidos. "Estes resultados mostram que existe um componente genético subjacente ao tipo de odor humano", explicam.

"Uma vez identificada a base genética envolvida, poderemos analisar as populações e prever o nível de risco de serem mordidos", explicou James Logan, aludindo também à possibilidade de desenvolvimento de repelentes mais eficazes, capazes de prevenir infecções.



Referências

  1. Heritability of Attractiveness to Mosquitoes